Juro que o que eu mais quis no começo desse livro era abandoná-lo. Nos primeiros capítulos a J.K. Rowling traz a morte inesperada de um dos personagens no dia do seu aniversário de casamento e a enrolação toda começa a partir daí.
Depois da morte súbita do líder do conselho da cidade de Pagford todos os outros membros se perguntam quem vai ocupar o lugar vago e, ao invés de a autora resolver esse problema logo, não, ela tem que contar o dia a dia de cada personagem, como cada um enfrentou o luto, principalmente a esposa e os filhos do falecido. Mas no meio disso tudo ela também mostra coisas reais como os desentendimentos familiares (discussões entre pais e filhos e entre marido e mulher, também).Às vezes, enquanto eu estava lendo dava vontade de simplesmente entrar no livro e dar uns socos e uns tiros em alguns personagens, porque, sinceramente, um dos personagens trabalhava na gráfica e ele tinha uns esquemas ilegais por fora e quando as coisas davam errado ele descontava batendo na mulher e nos filhos e tipo, é ele ta errado, ele que devia levar uma surra. Por outro lado, tem uns personagens que eu ficava torcendo pra dar tudo certo com eles, porque, realmente eles mereciam.
Por exemplo, uma adolescente chamada Krystal tem uma mãe viciada em heroína, Terri, e um irmão mais novo, Robbie de três anos. A mãe de Krystal já foi pra reabilitação três vezes, mas sempre acabavam expulsando-a, porque ela voltava a usar a droga e a assistente social que cuidava do caso delas meio que não tava nem aí pro que acontecia por trás disso tudo. Até que chega Key, a assistente social substituta que se preocupa de verdade com a família e é a partir daí que Terri tenta mudar para poder ser uma mãe melhor.
O livro traz também o bulling, que tem em todo lugar. E a vítima é Sukhvinder, uma adolescente que era motivo de piada entre os colegas, porque tinha muito pelo na região do busso e ela era chamada de hermafrodita, mas não sabia o significado disso por conta da sua dislexia. Pra amenizar a dor que ela sentia com toda essa humilhação, de noite, quando todos da família já estavam dormindo ela pegava uma lâmina e cortava os pulsos, dizendo que a dor dos cortes a ajudava a extravasar a sua dor interna.
Passando um pouco da metade do livro, começam a aparecer algumas mensagens no site do conselho de Pagford, que revelam alguns segredos das pessoas que estão concorrendo para ocupar o lugar que foi deixado pelo falecido líder. E essas mensagens têm como autor o fantasma de Barry Fairbrother, que é ninguém, mais ninguém menos que o cara que morreu. E é aí que a história começa a ficar interessante, mas se você for daquelas pessoas que não continua o livro, porque não gostou dos 3 primeiros capítulos e quer ler esse livro, já vou avisando que você vai penar pra conseguir chegar até o final.
Esse livro tem uma narrativa muito lenta e muitos personagens. Só quando eu já estava nos últimos capítulos é que eu consegui ir associando os nomes com as pessoas e com o que elas eram ou qual era a situação delas. Eu dei 3 estrelas pra ele no skoob, porque, realmente, foi uma leitura complicada e cansativa, mas no final... Como eu me surpreendi. Adorei o final.
Obrigada por ler e até a próxima!
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